sexta-feira, 14 de outubro de 2016 in

Cleptocracia em acção


Uma vez que em Portugal quase todas as leis estão pensadas para o incumprimento em vez de para o cumprimento e prevenção tendo em vista a cobrança de uma multa (numa clara cleptocracia que há anos denuncio em blogues, nas redes sociais e nas páginas dos jornais e revistas onde escrevo), estimo que estarei prestes a perder a carta uma vez que desde início do ano que aos fins-de-semana aproveito para levar o carro para o trabalho, uma vez que não se pagam parquímetros, e só agora, mais de meio ano depois, recebi a primeira multa de radar por circular numa zona de 50/kh a 70/kh.

Uma vez que o "crime" foi cometido já na primeira semana de Março (quando comecei a levar o carro para o trabalho) e o faço todas as semanas, entrando no Túnel do Marquês vindo do Viaduto Duarte Pacheco a 70/kh (a norma para os túneis), prevejo que devo receber ainda umas boas multas seguidas por um qualquer mandato, uma vez que as autoridades só passados sete meses se dignaram a dar sinal de vida e o túnel, tanto agora como há sete meses, se mantém sem qualquer indicação de limite de velocidade - aparentemente os avisos fundiram todos, ou estão propositadamente desligados - e toda a sinalização na zona não inclui qualquer limite (aliás, o último limite sinalizado são 80/kh na descida para o Viaduto Duarte Pacheco).

Recordo que a velocidade nos túneis normalmente é de 70/kh, assim é na zona onde resido (Portas de Benfica/Amadora) e em redor de toda a capital, já é em si excepcional a Polícia Municipal ter radares de velocidade, mais excepcional ainda que aquele túnel em particular - na boca de uma autoestrada onde a última sinalização indica como limite 80/kh - seja considerado "dentro da localidade" com o respectivo limite de 50/kh quando túneis semelhantes têm como limite 70/kh, mas a excepcionalidade absoluta e o ridículo desta situação é o facto da sinalização estar desligada há pelo menos 10 meses (presumo até que há mais tempo, pois só há 10 meses trabalho ali na zona), e a demora da penalização, pois se eu após ter sido "apanhado" recebesse a multa alguns dias ou horas depois (como já me sucedeu com a PSP) estaria alertado para a singularidade daquele túnel, agora chegando a multa sete meses após o ocorrido e circulando eu ali uma ou duas vezes por semana à mesma velocidade - a norma para os restantes túneis de entrada em Lisboa - é normal que receba uma quantidade avultada de multas às quais se seguirá um processo em tribunal e uma hipotética condenação a trabalho comunitário ou tempo de prisão por não as poder pagar. Portugal ainda tem muito que reformar para se salvar!

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