quinta-feira, 15 de setembro de 2016 in

Regresso a casa própria

Este blogue regressa dentro de momentos, até lá podem acompanhar-me n'A Semente do Diabo e n'O Ouriço, projectos blogosféricos que insistiram na minha presença. Até já.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015 in

Acordai.info

Lamento a ausência, entretanto para quem me queira ler mas ainda não me siga no Facebook, sou um dos escribas do novo blogue colectivo Acordai.info. Até já.

domingo, 27 de setembro de 2015 in

É tempo de confiança!



Estamos perante as eleições deste ano e, como se tornou rotineiro, seria a altura de fazer o meu habitual apelo à participação, “vá votar, nem que seja nos extra-parlamentares”, creio que os leitores já estão familiarizados com os argumentos que reciclo a cara ciclo eleitoral, o apelo à cidadania, ao interesse pelo destino do país, à responsabilização do cidadão eleitor pelos governos que escolhe (ou se recusa a escolher) para decidirem o nosso modo de vida. Para quem “não liga” à política podia relembrar outra vez que tudo é política, desde a água que nos chega pela torneira até ao pão do pequeno-almoço e os ingredientes que constam da margarina que lá metemos: em tudo houve ‘a priori’ uma decisão política algures.

Mas vou fazer algo diferente, partilhando da visão de que o voto é secreto mas não é segredo, assumo desde já que no dia quatro de Outubro vou votar no Partido Socialista, que considero as sondagens que têm vindo a público uma farsa ou uma manifestação de loucura colectiva, ou será que a destruição da minha qualidade de vida e de todos os meus conhecidos foi localizada? O governo concentrou-se em destruir o bem-estar e a qualidade de vida só das pessoas que eu conheço? O resto do país está bem gerido e é tudo um mar de rosas sem picos? Só a mim me calhou a fava e o peso de testemunhar em primeira mão a miséria daquela minoria, que deve viver toda nas zonas onde me desloco, que foi afectada por escolhas ideológicas insanas e anti-públicas?

Serei o único a recordar que este governo de direita da destruição nacional além de ter privatizado selvaticamente com o mero intuito ideológico de partir a espinha aos poucos sindicatos que ainda se mexiam foi também ao extremo de deixou falecer uns quantos eleitores com doenças tratáveis para negociar mais vantajosamente o preço da comparticipação pública da cura? Para poupar um valor que seria inócuo em contas de Estado este governo deixou morrer pessoas, mas para entregar de mão beijada 3,9 MIL milhões a um banco falido que continua falido e atirar o défice para o valor de 2011, ano em que foi eleito, aí já está tudo bem? Mais que um voto no Partido Socialista, os eleitores têm que ir votar contra o fanatismo neo-liberal da coligação, contra as suas mentiras, contra o ódio que nutre contra os portugueses, contra a morte, a miséria e o desespero que nos trouxeram. Dia 4 voto PS, e não me envergonho!

Flávio Gonçalves
(director da Libertária e colunista do semanário O Diabo)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015 in

Um Resquício da Guerra Fria?

A Radio Free Europe/Radio Liberty foi fundada em 1949 como órgão de propaganda anti-comunista. Apesar do seu nome trata-se de uma entidade criada pelos Estados Unidos e financiada pelo governo norte-americano que tinha o objectivo de emitir para "países onde o livre fluxo informativo é controlado ou banido pelo governo". Coisa dos tempos da Guerra Fria? Não, ainda existe, a sua sede é na República Checa e tem legações em 20 países.

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O Eixo Multipolar?

Na Síria alinham-se já as alianças do futuro: Rússia, China e Irão unem-se contra os terroristas do Estado Islâmico, no Ocidente mantém-se a ambiguidade do 'nim', nem o laicismo do regime sírio nem o terrorismo islâmico. Infelizmente as guerras não costumam ter três trincheiras.

terça-feira, 22 de setembro de 2015 in

A Face Oculta da Privatização

Veio a público que o novo dono da PT não gosta de pagar ordenados e que, sendo possível, paga sempre o mais baixo que puder. Tal leva-nos a apreciar a política de privatizações levada a cabo pelo actual governo de direita:

Pela nossa experiência laboral todos os portugueses que chegam a chefes são péssimos chefes e patrões, mas por norma os de direita exploram muito mais e tratam muito pior os empregados. São todos maus, mas os de direita têm tendência a ser piores naquelas coisinhas de não pagar as horas extra, cortar nas folgas, esquecer-se das férias. 

Mas a questão aqui é que entregaram um serviço público essencial a um privado sem escrúpulos (nem digo israelita para não ser acusado de anti-semita) por mera opção ideológica, aliás: todas as privatizações deste governo têm sido por opção ideológica parcialmente neo-liberal e parcialmente para partir os dentes aos sindicatos portugueses, pois estes só têm força na função pública porque por norma os funcionários portugueses são geneticamente cobardes e incapazes de defender os seus direitos por medo de serem despedidos, preferem trabalhar mais horas sem receber, ficar sem folga e outras coisas do que perder o emprego. 

Não se podendo ilegalizar os sindicatos, privatizam-se os sectores privados com maior número de sindicalizados e pimba, o resultado é o mesmo. Pois caso se tratasse de uma opção racional e em tempo de crise, não se iria privatizar empresas que dão lucros de milhões.

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Pensamento do dia

Farto de jornalistas politizados... ainda por cima por servirem sempre quem está de momento no poder, nem são ideologicamente politizados a sério, é mais uma alma de escravo com síndroma de Estocolmo: amam os donos que vão tendo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015 in

Faça as Contas

De acordo com esta notícia no Esquerda.net os trabalhadores portugueses auferem, em média, 10,40€  por hora. Os muito bem pagos, diga-se, pois quem ganha o ordenado mínimo recebe menos de 3,70€ por hora. 3,94€ quem receba 630€ por mês. Para se falar de uma média de 10,40€ imaginem o descalabro de alguns ordenados que por aí andam... Mesmo quem aufira 900€ mensais ganha 5,63€ por hora... quem ler este texto do BE vai pensar que o ordenado médio em Portugal é cerca de 1.800€! Imaginem o descalabro que são os ordenados de uma pequena elite para que o seu ordenado e o de milhões de portugueses seiscentistas combinados tenham como resultado final uma média de 1.800€. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015 in ,

Regressou o Tirem As Mãos Da Venezuela

Uma nova equipa assumiu a redacção do Tirem As Mãos Da Venezuela, nas primeiras semanas iremos recuperar os textos dispersos pelos anteriores blogues e, paralelamente, criar novos conteúdos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015 in

Lançado o blogue da "Libertária"

A revista Libertária (cujo lançamento está previsto para Novembro deste ano) inaugurou o seu blogue oficial hoje com a publicação de dois interessantes textos: Para lá dos povos dos barcos: os deveres morais da Europa para com os refugiados por Paul Collier e Um programa de quatro pontos para lidar com a crise dos refugiados na Europa por Henning Meyer.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015 in ,

Carta aos Eleitores Indecisos


Caras e Caros Amigos, PORQUE VOS ESCREVO?

A 4 de Outubro, temos eleições e sinto que é meu dever alertar para a sua importância, explicar o que defendo para Portugal, responder a dúvidas que sei muitos terão.

Como autarca, habituei-me a fazer isto no dia-a-dia, nas reuniões públicas de câmara ou na rua. Agora, em eleições nacionais, é mais difícil e provavelmente não terei oportunidade de falar pessoalmente com muitos de vós nas próximas semanas. Por isso, decidi ter uma conversa convosco através desta carta. Proponho-vos que  mantenhamos aqui esta conversa, que será feita em vários capítulos, durante os próximos dias.

A proximidade, o diálogo permanente, a vontade de ouvir, o empenho em explicar, são decisivos para criarmos um laço de confiança – e a confiança é essencial para a nossa mobilização colectiva pelo futuro de Portugal.

Estes anos têm sido muito duros  para as pessoas, as famílias e as empresas, feriram-nos na nossa auto estima colectiva, puseram em causa a confiança que depositávamos nas instituições , geraram o sentimento de abandono em muitos territórios, provocaram a descrença no projecto europeu, trouxeram o sobressalto e a instabilidade para o quotidiano, a perda de pensões para os idosos, a precarização para os jovens,  a ameaça do desemprego para todos. Foram anos de grande retrocesso económico e social.

Mas, mesmo assim, muitos se interrogam:  vale a pena votar?  Para quê?, perguntam. Será que é possível governar de forma diferente? Afinal, o que querem fazer de diferente?  Este é o principal  expediente da direita: levar as pessoas a admitir a fatalidade, a inevitabilidade, a impossibilidade de mudar. Recuso esta visão e este fatalismo sem alternativa. Digo, com convicção e com realismo: é possível fazer diferente e fazer melhor, como mostramos desenvolvidamente nos nossos diferentes textos programáticos.

Estas eleições são, de facto, decisivas por 4 razões.

Primeira, porque temos de vencer a depressão, a descrença, a resignação um sentimento de decadência nacional e reconstruirmos um sentimento de esperança colectiva no nosso futuro comum. Temos de iniciar um novo ciclo, com novos protagonistas e uma nova visão para o país.

Segunda, porque há duas opções de fundo que estão em confronto: sobre o nosso modelo de desenvolvimento – assente no conhecimento e  inovação, contra a precarização e o empobrecimento – e sobre o nosso modelo social – na garantia da sustentabilidade da segurança social, na defesa do SNS e da valorização da escola pública, contra a ameaça da privatização dos serviços públicos e da destruição do Estado social;

Terceira, porque temos de virar a página da austeridade para relançar a economia, criar emprego de qualidade e com futuro, sanear as nossas finanças públicas.

Quarta, porque temos de reassumir uma postura activa na Europa,  sem submissão nem aventureirismos, que nos permita retomar a convergência e fortalecer a nossa posição no euro.

É sobre estas quatro questões que vos quero falar nos próximos dias.

Até amanhã, com os meus melhores cumprimentos,

Lisboa, 24 de Agosto 2015

terça-feira, 18 de agosto de 2015 in

Nasce a "Libertária"!


Desde o início do ano que se vieram a cimentar as fundações de um novo projecto editorial que dará pelo nome de “Libertária”, esta será – pelo menos nesta primeira fase – dirigida por mim e produzida por uma rede de voluntários oriundos do centro-esquerda, da social-democracia, do socialismo e, como o nome não engana, da área libertária. Mas não existem já revistas de esquerda suficientes em Portugal? Sim, mas não! Após um exaustivo levantamento concluímos que actualmente em Portugal existem inúmeras revistas e publicações que quanto muito serão de extrema-esquerda (“Rubra”, “Manifesto”, “Combate”, “A Comuna”, “Imprópria” e “Mudar de Vida”), logo afastadas do pragmatismo a que obriga uma publicação que queira levar a cabo mudanças no socialismo do mundo real e, com a excepção da “Seara Nova”, o conteúdo social-democrata dessas revistas é raro ou praticamente nulo.

Assim sendo dedicamos os primeiros seis meses do ano, calmamente, a firmar acordos que nos permitirão editar em Portugal alguns dos mais conhecidos e originais autores a nível da esquerda internacional e inclusive autores e políticos vindos do Partido Socialista Europeu e do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu, assegurando deste modo o pedigree social-democrata e socialista desta nova revista que inclui na sua génese três paradigmas muito claros: partindo da óptica e do pragmatismo político iremos, número a número, expor o pensamento “libertaire” europeu (anarquista), o “libertarian” de esquerda norte-americano (que inclui na sua génese o pensamento liberal tradicional) e os movimentos libertários (de libertação nacional) anti-colonialistas oriundos da América do Sul, da Ásia e de África.

É certo que em Portugal existem também outras publicações libertárias (os jornais “A Batalha” e “MAPA”, as revistas “A Ideia” e “Utopia”) mas estas, tal como as da extrema-esquerda, pregam o afastamento dos partidos convencionais e uma mudança abrupta e revolucionária (irrealista até, dada a particularidade da psique colectiva dos portugueses) do sistema actual, a “Libertária” por sua vez é uma voz reformista que irá recordar os princípios basilares da social-democracia desde a Primeira Internacional até hoje e que, em rúbricas como a Democracia Digital, apontará as vias possíveis para o aprimoramento da desta. A revista, embora fundada e dirigida por militantes do PS, encontra-se aberta à sociedade civil. E de “Libertária” se rebaptiza também e doravante esta minha coluna. Até já!

in O Diabo de 18 de Agosto de 2015

segunda-feira, 17 de agosto de 2015 in

Por Um Ordenado Mínimo Europeu!

É uma velha reivindicação minha a que agora o PSOE vem dar eco: criar um Ordenado Mínimo Europeu é a única maneira de equilibrar a Europa, ou se é uma União ou não se é, urge uma política económica comum, um ordenado mínimo comum, um Exército europeu e políticas de saúde e segurança social comuns! Já tarda, estas medidas bem como a criação de um Senado Europeu e uma maior federalização da Europa não foram implementadas por receio ou preguiça na altura devida e a aguardar mais fará com que se tornem de todo impossíveis, pois já surgem divisões de Norte a Sul. 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015 in ,

Gregos Não Concordam com Aprovação do Terceiro Resgate

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A última esperança?


A semana passada tive a oportunidade de assistir a uma entrevista com Jeremy Corbyn no “Ponto Contra Ponto” de Pacheco Pereira, Corbyn é o provável futuro líder do Partido Trabalhista britânico que tem sido apresentado como um resquício da “velha esquerda” (um socialista a sério, entenda-se) ou até como um “radical” (embora hoje em dia seja suficiente ser um social-democrata verdadeiro para se ser acusado de tal coisa). Tenho a dizer que não detectei ali nada de radical (mas sou suspeito, uma vez que os próprios Syriza grego e Podemos espanhol me parecem defender mais uma social-democracia à antiga do que quaisquer medidas radicais, extremistas ou tresloucadas).

A principal crítica de Jeremy Corbyn tem sido a de hoje em dia não existirem diferenças suficientes entes os partidos de esquerda e de direita que fazem parte do arco do poder e que os eleitores só tiveram que escolher entre a política da “austeridade dura” do Partido Conservador e a “austeridade leve” do Partido Trabalhista, por cá Daniel Adrião tem uma opinião semelhante e considera com muita razão que “o centralismo é a doença infantil do socialismo”: ou seja, o descalabro eleitoral dos socialistas em toda a Europa está directamente relacionado com o seu afastamento (para tal contribuiu muito o Novo Trabalhismo de Tony Blair, digo eu) lento mas constante, dos ideais socialistas e sociais-democratas que há uma mera década eram as suas bandeiras e que foram resgatadas pelos movimentos populistas que têm surgido em todo o continente (Cinco Estrelas, UKIP, Podemos, Frente Nacional, Syriza, etc.).

Agrada-me que Jeremy Corbyn queira que o Partido Trabalhista regresse às suas raízes de esquerda, contudo a sua análise inicial de que o voto no UKIP seria um “voto de desespero” por o eleitorado ter perdido a esperança em qualquer distinção política entre o centro-direita conservador e o centro-esquerda trabalhista nas terras de sua majestade, infelizmente o entrevistador voltou a insistir e Corbyn comete um erro grave que me faz crer que mesmo com um esquerdista genuíno como ele à frente do Partido Trabalhista o descalabro eleitoral talvez abrande mas não irá parar, descarta o voto de protesto no UKIP como sendo "um voto racista" deitando por terra a sua primeira análise, muito mais acertada, do “voto de desespero” daqueles que já nada têm a perder pois o fanatismo neo-liberal tudo lhes tirou. Mas ainda vai a tempo de se emendar e, Deus queira, salvar a social-democracia no Reino Unido.

in O Diabo de 11 de Agosto de 2015