sexta-feira, 25 de novembro de 2016 in ,

"Quem governa o mundo?" Chomsky responde!

Noam Chomsky é um autor extremamente prolífico e, actualmente, uma presença incontornável que não pode ser ignorada por nenhum estudioso sério de Geopolítica e Relações Internacionais, a sua obra mais recente de estudos acerca dos efeitos globais das intervenções externas do imperialismo estadunidense já se encontra nas livrarias portuguesas: "Quem Governa o Mundo?" (352pp.; 17,50€; Editorial Presença, 2016). 

Este minucioso volume não só reúne a sua análise mais recente, até finais de 2015, como documenta exaustivamente, nas suas notas de rodapé e bibliografia, a mentalidade, a doutrina e as acções que transformaram os Estados Unidos da América na única hiperpotência mundial.

Nesta obra Chomsky desenterra documentação e factos pouco conhecidos (ou mais correctamente, pouco noticiados) acerca do papel desempenhado pelos serviços secretos americanos um pouco por todo o mundo, com destaque para a América do Sul e para o Médio Oriente, mas sem olvidar o Laos, o Vietname e inclusivamente a Europa, alertando que mesmo algumas das personalidades que têm denunciado a ingerência global da política norte-americana, como Jimmy Carter, acabam por incluir nessa denúncia a sua "adesão a fabricações doutrinárias úteis" da doutrina que denunciam. 

Chomsky, ainda professor emérito no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), rastreia muitos dos problemas do mundo actual ao triunfo da visão capitalista e neo-liberal que o império americano conseguiu impor desde o final da Segunda Guerra Mundial como "normal" e até, afirmamos nós, como sendo o único mundo possível, incluindo aqui até a mais recente descrença generalizada para com a democracia: "a debilitação da democracia em exercício é um dos contributos do ataque neo-liberal à população mundial durante a última geração. E isto não está a acontecer apenas nos EUA: na Europa, o impacto poderá ser ainda pior" referindo-se ao fenómeno Donald Trump e ao crescimento eleitoral dos populismos em solo europeu como sintomas mais recentes desta maleita.

O papel crucial que Israel ocupa em muitas das políticas dos vários governos do Tio Sam, sejam eles Democratas ou Republicanos, é também alvo de crítica minuciosamente documentada. A principal denúncia passa pelo incómodo facto de terem conseguido consolidar, junto da opinião publicada e da política mundial, que quando os seus inimigos agem o fazem por pura maldade e desejo de matar, mesmo quando se trata de algum acidente, já os EUA e Israel "enquanto sociedades democráticas que são, não o fazem por intenção", mesmo quando elegem intencionalmente alvos civis como escolas primárias, infantários ou hospitais, "não podem ser colocados no nível de depravação moral" dos seus adversários. 

Uma obra de leitura obrigatória, principalmente nos dias que correm e em todo o lado já se ouve o ressoar dos tambores de guerra contra a Rússia. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016 in

O novo sabor do Império

Ao contrário do que o mundo esperava (sempre julguei que perdesse por pouco), Donald Trump é o novo líder do "mundo livre". Tal demonstra, inequivocamente, que o eleitorado em todo o Ocidente se encontra enfastiado pelos candidatos habituais, aliás, eu iria mais longe, o neo-liberalismo e o capitalismo selvagem aos quais aderiram os políticos do centro-direita e do centro-esquerda tornaram a vida dos cidadãos num desespero tal que as opções apresentadas pela imprensa como "radicais" já parecerem preferíveis ao que temos agora, afinal, quão pior podem as coisas ficar?

Houve outro factor que aparentemente tem ficado de fora da maior parte das análises e pelo qual quase intitulei esta crónica de "a esquerda de Trump": a esmagadora maioria dos intelectuais de esquerda fizeram campanha contra Hillary Clinton ou, no caso de Slavoj Zizek, endorsaram mesmo a candidatura de Donald Trump como a menos nefasta. De todos os nomes pesados da intelectualidade de esquerda, após a derrota de Bernie Sanders (o candidato Democrata mais qualificado para bater Trump, uma vez que também ele nos chegava de fora do sistema) só Noam Chomsky veio em socorro de Clinton e sempre enfatizando que era meramente "o mal menor." 

Por limitações de espaço não vamos reproduzir as várias citações, mas quem tenha dúvidas por favor consulte as páginas oficiais dos seguintes autores: Michel Chossudovsky, John Pilger, Pepe Escobar, James Petras e Julian Assange. Certo, havia mais de uma centena de candidatos de outros partidos acerca dos quais nem ouvimos falar, o mais provável era que os supracitados, apelando ao não-voto em Clinton, esperassem também que Hillary perdesse por pouco e que esses votos fossem para os dois maiores partidos extra-parlamentares dos EUA, Os Verdes e o Partido Libertário. Trump ganhou, paciência.

Mas como em História é notório que "algo tem que mudar para que tudo fique na mesma", ver Marine Le Pen no número mais recente da "Foreign Affairs" (a revista oficial do regime, por assim dizer) e Donald Trump na presidência dos EUA, demonstra que o Império tenta acompanhar os tempos para não se deixar ultrapassar pela Rússia, é a minha curta análise ainda a quente, os populismos europeus, que tinham a Rússia de Putin como preferência geopolítica e votam em bloco no Parlamento Europeu contra a NATO e contra as sanções à Rússia, fossem de esquerda (5 Estrelas, Podemos, Syriza) ou de direita (FN, UKIP, AfD), agora passam a ter uma opção populista na América de Trump...

Não querendo estragar a festa dos meus camaradas pró-russos que celebram a vitória de Trump, a verdade é que acompanho a política internacional há duas décadas e me tornei num convicto céptico, cínico e até paranóico quanto a esperançosas mudanças de fundo. Só espero estar errado! 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016 in

Bem-vindo à Área X

Foi com algum receio que pegamos em "Aniquilação" de Jeff Vandermeer (224pp.; 16,90€; Saída de Emergência, 2016), não só o autor já não era traduzido em Portugal há uma década como as constantes comparações do ambiente da sua escrita ao universo criado por Howard Phillips Lovecraft nos deixou de pé atrás, afinal quantas vezes tal comparação não nos deixou já com um amargo de boca? Felizmente, após a sua leitura, compreendemos o porquê de Vandermeer ter sido já galardoado com um Nébula e sido finalista dos prémios Hugo, as principais referências da ficção científica e da fantasia.

Ora bem, logo nas primeiras páginas compreendemos estar perante um possível clássico instantâneo do género, tanto que devorámos o livro de um só folego (ou seja, em menos de 24 horas), o que complica um pouco a resenha é o facto da obra, como um todo, se sustentar de uma corrente de pequenos mistérios e de um suspense constante, o crítico que tenha a ousadia de revelar que adorou mais "a parte em que...", pode arruinar por completo a experiência do potencial leitor. Surpreendentemente, o autor consegue manter o ritmo e as revelações que vão surgindo, pouco a pouco, vão simultaneamente contribuindo para saciar a nossa curiosidade quanto às realidades da Área X e das personagens que a exploram, respondendo apenas pela sua função e não pelo seu nome - a antropóloga, a topógrafa, a bióloga e a psicóloga - revelando novos enigmas e mistérios que fazem com que leiamos sofregamente, página após página, à procura de novas respostas que trarão novas questões, sempre num ritmo que não se torna nem monótono nem enjoativo.

E o ambiente? Merece toda a descrição de lovecraftiano, sem qualquer risco de plágio conseguimos sentir na descrição do meio circundante e no desenvolver da personalidade das várias personagens - tanto na Área X como nos 'flashback' da personagem principal - toda a carga mítica e opressiva que reside no imaginário de todos os lovecraftianos. Ao longo de cinco capítulos acompanhamos os progressos e retrocessos das quatro personagens que tentam desvendar ao certo o que terá acontecido na Área X, uma zona devastada do planeta isolada do resto do mundo por uma fronteira de natureza invulgar e cuja existência é mantida em segredo pelas autoridades. Ali não é permitida qualquer tecnologia moderna nem a utilização de quaisquer nomes, com receio que o mal que ali habita possa de algum modo penetrar no mundo exterior ou, pior ainda, nas mentes daqueles que tentam desvendar a sua origem e reais efeitos numa paisagem devastada onde todos os vestígios de civilização se reduzem a ruínas e a escombros há muito corroídos pelo tempo. Bem-vindos à Área X, o quer, e onde quer, que seja.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016 in

E Trump ganhou!

Já liguei a televisão... nunca acreditei que Trump ganhasse as eleições... acho que só vou começar as entrevistas com os intelectuais de esquerda amanhã, já sei que Slavoj Zizek como socialista politicamente incorrecto apoiou Trump, o mesmo sucedeu com vários intelectuais da esquerda mais revolucionária (Michel Chussodovsky, John Pilger, Pepe Escobar, James Petras, o já mencionado Zizek, aliás, assim de repente, acho que só o Noam Chomsky apoiou a Clinton como "mal menor", a restante intelectualidade do socialismo mais ou menos democrático preferiu Trump) por pura aversão à Clinton. São tempos interessantes estes.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Eu, o coerente?

No rescaldo de uma troca de missivas com um académico acerca do meu passado político fui dar uma vista de olhos a algumas entrevistas que dei há meia dúzia de anos e textos antigos, realmente como volta e meia afirma o meu actual camarada Filipe Barroso, "os valores base não mudam": ao longo do meu percurso sempre defendi o federalismo europeu, primeiro nas entrelinhas de alguns textos e, desde 2008, de modo explícito e aberto. Nem eu próprio me tinha apercebido dessa coerência (como sabem, por norma critico a "coerência", já a denunciei em vários textos, uma pessoa "coerente", a meu ver, só demonstra uma incapacidade de aprender, mudar e aperfeiçoar os seus ideais). Quem diria, afinal tenho sido coerente e consistente e muito o devo ao exemplo do meu falecido camarada e conterrâneo José Medeiros Ferreira.

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"Quadro de Honra", o underground português em livro


A revista “LOUD!” decidiu dedicar umas dezenas de edições aos discos mais emblemáticos do submundo musical português, do industrial ao punk passando pelo hardcore e pelas várias gradações - das mais suaves às mais extremas - do heavy metal passando até a por um cheirinho muito ligeiro de Oi!, pouco ficou de fora deste volume compilado e dado à estampa em Maio deste ano, eis “Quadro de Honra” (368pp.; 16,90€; Saída de Emergência, 2016).

Admito que foi um tanto ou quanto complicado manter-me neutro quanto aos conteúdos deste livro, não só o volume inclui entrevistas com muitos dos ídolos da minha adolescência e juventude mas também com muitos rostos conhecidos cujo rastro o tempo me fez perder e até alguns amigos que já partiram deste mundo (caso de João Ribas, dos Censurados), o cérebro invadiu-se com toda uma série de locais que já não existem, do Centro Comercial Portugália até ao V Imperium, do Boca do Inferno ao Limbo, do Meia Nota ao Jürgens, num Bairro Alto alternativo, rebelde e deliciosamente barulhento que já só existe na memória daqueles que, como eu, lá andaram a saltar, a pogar e a cantar os refrões.

Mais, fez-me recordar todo um frenesim de trocas de fanzines, folhas volante (a imortal “Thrash Publishing” do Mário Lino) e cassetes de fita, selos dos CTT cobertos com cola ou envernizados para serem eternamente reutilizados, os catálogos da Carbono e da Guardians Of Metal que nos chegavam (parecia) do outro lado do mundo quando ainda residia na minha cidade natal da Horta (Faial, Açores), a leitura quase devocional das revistas “Roadie Crew” e “Rock Brigade”, o nascimento e morte da “Riff” (por uma questão geracional, o meu irmão mais novo lia a “LOUD!”) e a alemã “Rock Hard”, que se utilizava essencialmente para recortar fotos das bandas favoritas com as quais se cobriam os cadernos e capas da escola, os discos comprados a meias com colegas de liceu, as encomendas conjuntas para poupar nos portes e os anúncios dos X-Acto no “Blitz”, todo um passado que a geração da Internet, do iTunes e do Facebook dificilmente entenderá ou julgará nunca ter existido.

O livro conta com uma introdução a cargo de José Luís Peixoto, dois textos de Fernando Ribeiro, recordando as gravações e o rescaldo de “Wolfheart” e “Irreligious”, que catapultaram os Moonspell para uma carreira no estrangeiro que ainda perdura, e 36 entrevistas efectuadas por Ricardo S. Amorim, José Miguel Rodrigues, Nelson Santos, José Carlos Santos, Nuno Costa, Ricardo Agostinho e José Almeida Ribeiro, tudo em bom português (ou seja, Sem Acordo Ortográfico, uma deliciosa anomalia por parte da Saída de Emergência). Deste underground notei apenas a ausência de duas sonoridades: o rockabilly (eu incluiria Capitão Fantasma e Lucky Duckies) e o neo-folk (Sangre Cavallum? Karnnos?), terão ficado para a promessa vaga de um segundo volume? 

Satisfez-me encontrar os açorianos Morbid Death (teria apostado que se tinham esquecido deles, mas tal não sucedeu) e José Cid com o seu rock progressivo em “10.000 Anos Depois Entre Vênus e Marte”, a presença do hardcore – principalmente o vegetariano - parece-me um tanto ou quanto desproporcional, mas gostei de ouvir em discurso directo a realidade dos poucos submundos que não testemunhei em primeira mão. No Oi!, temos os sempre eternos e incontornáveis Mata-Ratos, o punk está entregue aos Censurados e aos Peste & Sida e o prato principal é heavy metal, muito heavy metal, death, grindcore, black, industrial, épico, neste campo o underground nacional dá cartas.

Para alguém que de algum modo viveu o “boom” do underground português na segunda década de 90 e primórdios do século XXI, este livro irá fazer com que vão à cave ou ao sótão sacudir o pó de discos e CDs aos quais há muito não voltavam – eu próprio, nos dias que demorei a digerir toda a nostalgia que esta monumental obra me causou, acabei por ouvir todos os álbuns de Heavenwood, a começar por “Swallow”, uma vez que a compra deste me fez recordar a minha primeira ida a Ponta Delgada (São Miguel), conhecer pessoalmente Mário Lino, uma ida à ilha de Santa Maria onde foi a banda sonora de uma excursão do Grupo de Jovens do Capelo e ainda a ida a um concerto de Morbid Death. Estou certo que todos nós, entre os 30 e os 50 anos a avaliar pelo meu regresso ao underground aquando da vinda de Obituary ao agora incontornável RCA Club, iremos recordar vários momentos à medida que percorremos as quase quarenta entrevistas e álbuns reunidos neste volume.

Para todos aqueles que não puderam testemunhar em primeira mão este submundo vivo que foi o eclodir das sonoridades mais extremas em Portugal a partir de 1993, têm aqui um autêntico documentário escrito para o que vivemos (sim, até eu tive uma banda de garagem, cabelos a meio das costas, muita roupa negra e pulseiras com espigões, por sorte a típica humidade açoriana parece ter varrido todos os indícios desse período) e estou certo de que hoje, algures, pulsa ainda um underground que vale a pena conhecer. 

Para os nostálgicos, para os estudiosos e para os curiosos, neste volume encontram entrevistas com as bandas Mão Morta, Thormenthor, Ramp, Bizarra Locomotiva, Twentyinchburial, Grog, Desire, Sacred Sin, Evisceration, Heavenwood, Decayed, Genocide, Sirius, Shrine, Inhuman, X-Acto, Tarantula, Mata-Ratos, Disaffected, Blacksunrise, Holocausto Canibal, Censurados, Men Eater, Exiled, Gangrena, José Cid, In Solitude, Peste & Sida, Morbid Death, In Tha Umbra, The Temple, If Lucy Fell, New Winds, W.C. Noise, Corpus Christii e Process Of Guilt. Dica: quase todas elas anunciam o relançamento dos seus álbuns mais populares.

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"Estamos a ser condicionados para odiar os russos"

João Branco Martins é consultor em antecipação política e económica, presidente da Associação para o Posicionamento Estratégico e Financeiro (APEFI), autor de três obras sobre economia – sendo que a mais recente (“A Economia lá de Casa, A melhor estratégia para fazer crescer o seu dinheiro e deixar a crise para trás”, Verbo, 2014) foi já alvo de duas edições - ex-radialista do Rádio Clube de Sintra e presença ocasional nas televisões portuguesas, pronunciou-se nas redes sociais acerca do tratamento que a comunicação social e a comunidade internacional estão a dar à Rússia.

Em dois textos publicados na sua página oficial no Facebook no passado dia 28 de Outubro, Branco Martins alertava o seguinte: “agora todos os ataques na Síria são culpa dos russos. De repente mostram-se crianças estropiadas e ensanguentadas no telejornal, apenas para dizer que foram vítimas dos bombardeamentos russos”, enfatizando que “estamos a ser condicionados para odiar os russos”.

Referindo-se ao desenlace da mais recente votação no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmava: “a Rússia é posta fora do Conselho (…) Quem mantém o seu lugar e liderança? A Arábia Saudita”, nação conhecida pelas contínuas violações dos Direitos Humanos, país que ainda possui a pena de morte e que, em 2015, executou 153 pessoas e, até Julho deste ano, já tinha executado 100 cidadãos – de acordo com os dados da Amnistia Internacional.

Encerrando o seu desabafo acerca da máquina de propaganda actualmente encetada contra a Federação Russa, João Branco Martins alertava, preocupado, que “dentro de uns anos todos nós, eu incluído, estaremos a odiar os russos. Estaremos dispostos a arriscar a nossa vida e a dos nossos filhos contra a Rússia. E digo eu incluído porque ninguém estará imune à lavagem cerebral que nos vão fazer.”

sexta-feira, 14 de outubro de 2016 in

15 anos na estrada

Eu ainda sou do tempo em que os Frei.Wild só eram promovidos e distribuídos em pequenas zines fotocopiadas e distros independentes das sonoridades mais urbanas e radicais... olhem para eles agora, já celebraram o seu 15º aniversário e nem dei por isso. Da garagem e dos concertos "na paróquia" na sua terra natal em Itália até encherem estádios inteiros na Alemanha e na Áustria foi um longo percurso, quem diria? Venham lá mais 15 anos de barulho e irreverência!

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Cleptocracia em acção


Uma vez que em Portugal quase todas as leis estão pensadas para o incumprimento em vez de para o cumprimento e prevenção tendo em vista a cobrança de uma multa (numa clara cleptocracia que há anos denuncio em blogues, nas redes sociais e nas páginas dos jornais e revistas onde escrevo), estimo que estarei prestes a perder a carta uma vez que desde início do ano que aos fins-de-semana aproveito para levar o carro para o trabalho, uma vez que não se pagam parquímetros, e só agora, mais de meio ano depois, recebi a primeira multa de radar por circular numa zona de 50/kh a 70/kh.

Uma vez que o "crime" foi cometido já na primeira semana de Março (quando comecei a levar o carro para o trabalho) e o faço todas as semanas, entrando no Túnel do Marquês vindo do Viaduto Duarte Pacheco a 70/kh (a norma para os túneis), prevejo que devo receber ainda umas boas multas seguidas por um qualquer mandato, uma vez que as autoridades só passados sete meses se dignaram a dar sinal de vida e o túnel, tanto agora como há sete meses, se mantém sem qualquer indicação de limite de velocidade - aparentemente os avisos fundiram todos, ou estão propositadamente desligados - e toda a sinalização na zona não inclui qualquer limite (aliás, o último limite sinalizado são 80/kh na descida para o Viaduto Duarte Pacheco).

Recordo que a velocidade nos túneis normalmente é de 70/kh, assim é na zona onde resido (Portas de Benfica/Amadora) e em redor de toda a capital, já é em si excepcional a Polícia Municipal ter radares de velocidade, mais excepcional ainda que aquele túnel em particular - na boca de uma autoestrada onde a última sinalização indica como limite 80/kh - seja considerado "dentro da localidade" com o respectivo limite de 50/kh quando túneis semelhantes têm como limite 70/kh, mas a excepcionalidade absoluta e o ridículo desta situação é o facto da sinalização estar desligada há pelo menos 10 meses (presumo até que há mais tempo, pois só há 10 meses trabalho ali na zona), e a demora da penalização, pois se eu após ter sido "apanhado" recebesse a multa alguns dias ou horas depois (como já me sucedeu com a PSP) estaria alertado para a singularidade daquele túnel, agora chegando a multa sete meses após o ocorrido e circulando eu ali uma ou duas vezes por semana à mesma velocidade - a norma para os restantes túneis de entrada em Lisboa - é normal que receba uma quantidade avultada de multas às quais se seguirá um processo em tribunal e uma hipotética condenação a trabalho comunitário ou tempo de prisão por não as poder pagar. Portugal ainda tem muito que reformar para se salvar!

quinta-feira, 15 de setembro de 2016 in

Regresso a casa própria

Este blogue regressa dentro de momentos, até lá podem acompanhar-me n'A Semente do Diabo e n'O Ouriço, projectos blogosféricos que insistiram na minha presença. Até já.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015 in

Acordai.info

Lamento a ausência, entretanto para quem me queira ler mas ainda não me siga no Facebook, sou um dos escribas do novo blogue colectivo Acordai.info. Até já.

domingo, 27 de setembro de 2015 in

É tempo de confiança!



Estamos perante as eleições deste ano e, como se tornou rotineiro, seria a altura de fazer o meu habitual apelo à participação, “vá votar, nem que seja nos extra-parlamentares”, creio que os leitores já estão familiarizados com os argumentos que reciclo a cara ciclo eleitoral, o apelo à cidadania, ao interesse pelo destino do país, à responsabilização do cidadão eleitor pelos governos que escolhe (ou se recusa a escolher) para decidirem o nosso modo de vida. Para quem “não liga” à política podia relembrar outra vez que tudo é política, desde a água que nos chega pela torneira até ao pão do pequeno-almoço e os ingredientes que constam da margarina que lá metemos: em tudo houve ‘a priori’ uma decisão política algures.

Mas vou fazer algo diferente, partilhando da visão de que o voto é secreto mas não é segredo, assumo desde já que no dia quatro de Outubro vou votar no Partido Socialista, que considero as sondagens que têm vindo a público uma farsa ou uma manifestação de loucura colectiva, ou será que a destruição da minha qualidade de vida e de todos os meus conhecidos foi localizada? O governo concentrou-se em destruir o bem-estar e a qualidade de vida só das pessoas que eu conheço? O resto do país está bem gerido e é tudo um mar de rosas sem picos? Só a mim me calhou a fava e o peso de testemunhar em primeira mão a miséria daquela minoria, que deve viver toda nas zonas onde me desloco, que foi afectada por escolhas ideológicas insanas e anti-públicas?

Serei o único a recordar que este governo de direita da destruição nacional além de ter privatizado selvaticamente com o mero intuito ideológico de partir a espinha aos poucos sindicatos que ainda se mexiam foi também ao extremo de deixou falecer uns quantos eleitores com doenças tratáveis para negociar mais vantajosamente o preço da comparticipação pública da cura? Para poupar um valor que seria inócuo em contas de Estado este governo deixou morrer pessoas, mas para entregar de mão beijada 3,9 MIL milhões a um banco falido que continua falido e atirar o défice para o valor de 2011, ano em que foi eleito, aí já está tudo bem? Mais que um voto no Partido Socialista, os eleitores têm que ir votar contra o fanatismo neo-liberal da coligação, contra as suas mentiras, contra o ódio que nutre contra os portugueses, contra a morte, a miséria e o desespero que nos trouxeram. Dia 4 voto PS, e não me envergonho!

Flávio Gonçalves
(director da Libertária e colunista do semanário O Diabo)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015 in

Um Resquício da Guerra Fria?

A Radio Free Europe/Radio Liberty foi fundada em 1949 como órgão de propaganda anti-comunista. Apesar do seu nome trata-se de uma entidade criada pelos Estados Unidos e financiada pelo governo norte-americano que tinha o objectivo de emitir para "países onde o livre fluxo informativo é controlado ou banido pelo governo". Coisa dos tempos da Guerra Fria? Não, ainda existe, a sua sede é na República Checa e tem legações em 20 países.

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O Eixo Multipolar?

Na Síria alinham-se já as alianças do futuro: Rússia, China e Irão unem-se contra os terroristas do Estado Islâmico, no Ocidente mantém-se a ambiguidade do 'nim', nem o laicismo do regime sírio nem o terrorismo islâmico. Infelizmente as guerras não costumam ter três trincheiras.

terça-feira, 22 de setembro de 2015 in

A Face Oculta da Privatização

Veio a público que o novo dono da PT não gosta de pagar ordenados e que, sendo possível, paga sempre o mais baixo que puder. Tal leva-nos a apreciar a política de privatizações levada a cabo pelo actual governo de direita:

Pela nossa experiência laboral todos os portugueses que chegam a chefes são péssimos chefes e patrões, mas por norma os de direita exploram muito mais e tratam muito pior os empregados. São todos maus, mas os de direita têm tendência a ser piores naquelas coisinhas de não pagar as horas extra, cortar nas folgas, esquecer-se das férias. 

Mas a questão aqui é que entregaram um serviço público essencial a um privado sem escrúpulos (nem digo israelita para não ser acusado de anti-semita) por mera opção ideológica, aliás: todas as privatizações deste governo têm sido por opção ideológica parcialmente neo-liberal e parcialmente para partir os dentes aos sindicatos portugueses, pois estes só têm força na função pública porque por norma os funcionários portugueses são geneticamente cobardes e incapazes de defender os seus direitos por medo de serem despedidos, preferem trabalhar mais horas sem receber, ficar sem folga e outras coisas do que perder o emprego. 

Não se podendo ilegalizar os sindicatos, privatizam-se os sectores privados com maior número de sindicalizados e pimba, o resultado é o mesmo. Pois caso se tratasse de uma opção racional e em tempo de crise, não se iria privatizar empresas que dão lucros de milhões.

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Pensamento do dia

Farto de jornalistas politizados... ainda por cima por servirem sempre quem está de momento no poder, nem são ideologicamente politizados a sério, é mais uma alma de escravo com síndroma de Estocolmo: amam os donos que vão tendo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015 in

Faça as Contas

De acordo com esta notícia no Esquerda.net os trabalhadores portugueses auferem, em média, 10,40€  por hora. Os muito bem pagos, diga-se, pois quem ganha o ordenado mínimo recebe menos de 3,70€ por hora. 3,94€ quem receba 630€ por mês. Para se falar de uma média de 10,40€ imaginem o descalabro de alguns ordenados que por aí andam... Mesmo quem aufira 900€ mensais ganha 5,63€ por hora... quem ler este texto do BE vai pensar que o ordenado médio em Portugal é cerca de 1.800€! Imaginem o descalabro que são os ordenados de uma pequena elite para que o seu ordenado e o de milhões de portugueses seiscentistas combinados tenham como resultado final uma média de 1.800€. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015 in ,

Regressou o Tirem As Mãos Da Venezuela

Uma nova equipa assumiu a redacção do Tirem As Mãos Da Venezuela, nas primeiras semanas iremos recuperar os textos dispersos pelos anteriores blogues e, paralelamente, criar novos conteúdos.